À nobre e sagrada memória

In MOTE PARA MOTIM, pág. 7

À nobre e sagrada memória de Dona Maria da Gló-
ria Delgado de Almeida Loureiro e Castel-Branco,
minha bondosa prima-avó – avó-madrinha a quem
na morte peço a benção, e que, a estas horas,
do Céu me estará acenando. Em santidade viveu
e morreu. Aqui a lembro, dilacerado de saudade,
lembrando quanto Ela me estremeceu sempre,
desde que amadrinhou os meus dias. Meu pai e
meu filho Rodrigo Víctor, ambos lhe tomaram, igual-
mente, da mão; ambos lhe ficaram também a dever
o nome: o mesmo nome. Antes de sumir-se na
bruma de Deus, foi por mim que chamou: andava
eu por longe, poeta vestido de soldado. E no dia
em que morreu, morri também nesse dia.