Muito para meus filhos...

In SERENATA A MEUS UMBRAIS, pág. 4

Muito para meus filhos, Rodrigo Víctor e Gonçalo Tomaz, pedindo
a Deus que os poupe sempre à vergonha-mor por que seu pai passou:
a vergonha de estar vivo, à hora em que a Pátria se finava; a vergonha
de fisicamente ter sobrevivido à própria Pátria. — É essa a última das
vergonhas que um homem pode experimentar!

A Goulart Nogueira e António José de Brito, — que, em hora
particularmente triste de ser vivida, me acompanharam, com mais uns
quantos camaradas-de-armas-e-de-ideias, na fidelidade a pensamento e
território.

A António de Navarro e a Manuel Alves de Oliveira, — pelos
mesmos nobres motivos de honra e de insofrida fidelidade.

MIL NOVECENTOS E SETENTA E QUATRO ANO DE MUITAS
E ALTAS TRAIÇÕES.





Com incalculável afecto, para T. S., que em sua casa me deu
pousada, ao saber-me perseguido pela canalha vermelha.

Muito para o Zeca, que tão corajosamente pilotou a minha fuga
até Espanha.

À coragem e abnegação, ilimitadas, de minha mãe e de minhas
irmãs.

Enternecidamente, para minha mulher.

À sua coragem. À sua abnegação.

E à filhita que nos nasceu no exílio: Constança Filipa, pela graça
do baptismo.

À LAREIRA DE CASTELA. ANO DE MIL NOVECENTOS E
SETENTA E CINCO.