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FILHO PRÓDIGO Voltei ao casarão velho, onde já tudo morreu... Tirei
a venda ao espelho, e olhei. Olhei, recuei. Recuei, gritei: - Era EU!
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[13/6/2006] - MATANDO A SEDE NAS FONTES DE FÁTIMA
In «O Diabo», 13.06.2006, pág. 20
Responsabilidade pesada é esta de escrever alguma coisa sobre o mais recente livro de Rodrigo Emílio que a editora Antília fez o favor (e teve a corag...
MATANDO A SEDE NAS FONTES DE FÁTIMA
In «O Diabo», 13.06.2006, pág. 20
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Responsabilidade pesada é esta de escrever alguma coisa sobre o mais recente livro de Rodrigo Emílio que a editora Antília fez o favor (e teve a coragem), de editar, como já editara, a estrear-se, o belíssimo “Pequeno Presépio de Poemas de Natal”. Não julguem que brinco. Por estes dias, os poderes constituídos e outras que tais forças vivas da nação, limitam-se a ignorar poetas da grandeza de Rodrigo Emílio e a não dar cavaco aos esforços de pequenas editoras como a “nossa” Antília; dias virão em que os rangeres de dentes democráticos se ouvirão nas ruas e vielas “deste país” e o menos que nos espera será ir bater com os costados a um qualquer Campo Pequeno, como uma vez profetizou o impagável (mas nada mal pago), general, brigadeiro, major ou lá o que é, Otelo, hoje por hoje tão imerecedoiramente esquecido dos filhos da pátria que resta. Mas, dizia eu, pesada é a responsabilidade de vos falar deste livro, aliás, como os demais, um belo objecto como a Antília já nos habituou. Responsabilidade que entendo acima das minhas forças, por mais que me identifique (assim, no presente), com o Rodrigo Emílio. É que, muito mais do que eu possa dizer, muito melhor do que jamais o saberei fazer, já está dito pelo António Manuel Couto Viana, no excelente prefácio que abre este livro. E no que, em posfácio, muito bem acrescenta Silva Resende. O que fica patente é que Rodrigo Emílio faz o pleno como grande poeta, nacionalista, monárquico e católico, não necessariamente por esta ordem. Há quem seja nacionalista, sem ser monárquico ou católico. Rodrigo, como aquele belo poema de Mascarenhas Barreto, de que tanto gostava, cantado pelo saudoso António dos Santos, que íamos ouvir noites a fio, ali ao Chafariz de Dentro, arvorou “bandeira de El-Rei” no “alto do mastaréu” e pelo seu adejar traçou o rumo da sua vida: “Eu, por mim, canto o trono: /o alto do trono; /o trono e o altar”. Nossa Senhora é, já lá vão uns quatrocentos anos, Padroeira de Portugal e, não por acaso, ostenta a Coroa Real. Nossa Senhora escolheu Fátima para deixar a sua mensagem e não seria o Rodrigo quem a tal ficaria indiferente. “Só ao pé — e aos pés d`Ela /eu me entendo, /a corpo inteiro, /e por inteiro percebo/ a chama bela, /e o sentido, / do seu Terceiro /Segredo /(que mo disse Ela, ao ouvido…)” É também na Virgem que Rodrigo busca algum conforto ante a derrota da Pátria. Recordo estes versos escritos pouco depois do seu regresso a esta terra que já não era a mesma: “Eis-me, de longe, chegado /(Ao cabo do pior fracasso…) /Celeste Senhora do Santo Recado: /— Venha de lá esse abraço!… /… Pois só por Vós abraçado, /É que eu, decerto, renasço, /No adro /de um tal regaço!” Ou, num outro poema: “Da cruz dos caminhos /aos altos portais, /há espinhos, espinhos, espinhos /de mais… Os responsáveis por esta colectânea de Poemas à volta do Altar de Fátima, (e sei que o meu bom amigo Alberto de Araújo Lima e a Constança, filha e a “Vassourinha” de outro poemas do Rodrigo, a tal não foram alheios), não deixaram de incluir uma das suas últimas sátiras de humor justiceiro: “Este ano, Senhora, trago /comigo um pesado encargo /— intenção extra e concisa: /a de orar por Saramago/ que, coitado, bem precisa…!” Mas, Fátima está sempre presente nesta colectânea de poemas na sua maioria inéditos. E a profunda religiosidade de Rodrigo Emílio em variados registos dos mais elaborados aos aparentemente singelos e de gosto popular. Fiquem com este naco para aguçar o apetite: “Bateu asas a azinheira…? Levantou voo este chão?… — … Ou não foi mais que o milagre da primeira aparição?!… Como entender tal vertigem, sem acção de vento ou bátega, se não como obra da Virgem?… Da própria Virgem de Fátima?!… É o céu que se descerra, p’ra que a Terra plane e paire…? —… Ou a paz a impor-se à guerra, a partir da Serra d’Aire?!… É tudo a ser posto à prova, por desígnio de Maria?… —… Ou o sortilégio de sempre, baixando à Cova da Iria?!… É no alto, o Sol a solo; é, no solo, o olor a Maio! A fé aninha-me ao colo… Já do seu colo eu não saio.”
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Walter Ventura
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[5/5/2006] - “Matando a Sede nas Fontes de Fátima”...
In «Jornal do Centro» - Edição N.º 21...
O Epimítio & a Fábula
“Matando a Sede nas Fontes de Fátima”: outro póstumo
Escritor que o é não morre nunca, mesmo que a arca, já enxuta, seq...
“Matando a Sede nas Fontes de Fátima”: outro póstumo
In «Jornal do Centro» - Edição N.º 216, 05.05.2006
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O Epimítio & a Fábula “Matando a Sede nas Fontes de Fátima”: outro póstumo Escritor que o é não morre nunca, mesmo que a arca, já enxuta, seque ao vento. Escritores há, como Rodrigo Emílio, que de tão visceralmente poetas não cessam nunca de nos alarmar. Assim acontece com a natural misteriologia religiosa que se desprende deste altar poético de título Matando a sede nas fontes de Fátima (2006). Deslargando a constante querela, quase dissídio opositivo, entre escritor católico e católico escritor, temáticas, aliás, fulgurantemente demarcada e debatida por Álvaro Ribeiro e José Carlos Seabra Pereira, avanço dizendo que a colectânea poética que apresento se inscreve no “cursus” mariano inscrito na matriz mais perene da literatura portuguesa, para logo romper, em sutura, com o modo celebrativo comum, arriscando todas as potencialidades de uma língua que é tradição e superação. A arte de Rodrigo Emílio assim se mostra, transmissiva e vigilante. Estes “Poemas de Fé” abrem com uma informada “Tábua Bibliográfica” do Autor, seguindo-se-lhe um importante “Elóquio” de António Manuel Couto Viana que, não desdizendo do vezo religiosista da obra, antes exalça o valor poético da arte emiliana. Referindo-se às loas à Virgem, Couto Viana, em passo final, conclui: “Qualquer que as leia dispensa a intervenção do divino prodígio para se arrebatar.” Poesia com família, isto é, integrantemente transmissora de ideologia e valores, é à família mais íntima que as “Dedicatórias” se destinam, antepostas que estão ao início dos “Poemas de Fé”. Aqui então o início do deslumbrado caminho fideísta depós um mistério de alumbração que é efusão lírica, admonição conselheira (“Se já / ninguém, aqui, / te seca / a lágrima, / pega / - pega / em ti / e vai a Fátima!”), fulgurante reaparição, sentida litania e nomeação (“Fátima: alto-mar / e altar-mor!”). De “Outras Misteriologias” promanam momentos poéticos singulares. Respigo, como exemplo, o poema “Último Reduto” (p. 105), que não deixou ainda de ressoar em mim uma força inefável: “Fixei morada / dentro de mim: / residência vigiada / da saída à entrada, da sacada ao jardim… // Torre blindada. // Torre de marfim!”. Com “Posfácio” de Silva Resende, este novo livro de Rodrigo Emílio é mais uma pegada importante de um escritor nodal. Quem ficará, pois, indiferente a este valioso “reduto” poético?
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Martim de Gouveia e Sousa
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[20/4/2006] - Matando a Sede nas Fontes de Fátima
In «Pena e Espada», 20.04.2006
Finalmente tenho em mãos o recém-publicado “Matando a Sede nas Fontes de Fátima”, de que falei aqui no início da semana. Numa óptima edição da Antília...
Matando a Sede nas Fontes de Fátima
In «Pena e Espada», 20.04.2006
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Finalmente tenho em mãos o recém-publicado “Matando a Sede nas Fontes de Fátima”, de que falei aqui no início da semana. Numa óptima edição da Antília, com uma capa com um excelente grafismo, a colectânea de poemas é precedida de um elóquio de António Manuel Couto Viana e encerrada com um posfácio de Silva Resende, que considera que “desde Moreira das Neves que nenhum outro escritor baptizava com tão filial delicadeza as suas musas na água lustral de Fátima”. Um livro formidável, onde a magistral poesia de Rodrigo Emílio é marcada pelo sentimento e pela espiritualidade. Dessas páginas devotas retiro um poema que tive já oportunidade de ouvir várias vezes cantado por José Campos e Sousa: LITANIA POLONESA Muito para o Zé Campos e Sousa — que consagrou musicalmente esta “Polonesa”, submetendo-a aos cuidados e à magia da sua voz de trovador d’império e ao seu talento de compositor. Presos vão…, mas ‘stão de pé! Dando as mãos — chegam e sobram! (— Por quem é que os sinos dobram? Por quem é que os sinos dobram?...) Espaldados pela fé, ‘stão de pé — e não soçobram! (— Por quem é que os sinos dobram? Por quem é que os sinos dobram?...) Frente ao mar, no interior, nos estaleiros navais, nas minas, reina o Horror: é ano e senhor; paira o Pavor sobre ruínas. Nossa Senhora das noites de insónia Defenda a Polónia da própria Polónia! Os ecos dos tchecos, quem é que os apaga?... — Gipões soviéticos irrompem em Praga. …Já antes, já antes — em lôbrego dia — à força de tanques se esmaga a Hungria. — E o muro gelado, d’arame farpado, que corta Berlim?!... — E o eco do brado sem fim abafado no ensopado e ensanguentado chão de Katyn?... Foi tudo gelado assim… Sempre assim! Nossa Senhora das noites de insónia Defenda a Polónia da própria Polónia! Soma e segue a multidão dos que, à invasão de russos, não podem opor senão mais do que uma solução de silêncios e soluços… E por mais que a Providência dê sinais de impaciência, o rumo traçado, p’ra todos talhado é um — e só um: encontro marcado na vala comum! Nossa Senhora das noites de insónia Defenda a Polónia da própria Polónia! Rodrigo Emílio
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Duarte Branquinho
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[seguinte]
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